Proposta de Carta Hospitalar da CNSMCA

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Proposta de Carta Hospitalar da CNSMCA

Mensagem por Admin em Dom 17 Jun 2012, 21:38

Divulga-se a proposta de Carta Hospitalar Materna, da Criança e do Adolescente, elaborada pela Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente.

Solicita-se a toda Comunidade Neonatal que participe neste Fórum para que, recolhidas as diversas opiniões, a Secção de Neonatologia possa emitir uma posição oficial sobre este documento.
Pode ver o documento aqui - pdf

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Com os melhores cumprimentos
Simão Pedro Frutuoso
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Re: Proposta de Carta Hospitalar da CNSMCA

Mensagem por maria jose costeira em Qui 02 Ago 2012, 23:37

Gostaria de partilhar convosco a minha opinião sobre a carta hospitalar da CNSMC e sobre a rede de referenciação materno-infantil no que diz respeito à Unidade de Neonatologia do CHAA, EPE- Guimarães:

"O documento “Organização perinatal nacional- Programa nacional de saúde materna e neonatal” emanado da DGS em 2006 refere uma série de medidas implementadas que estiveram na base do sucesso materno infantil, ao permitir:

1. A continuidade do PNSMI apesar das várias mudanças ministeriais.
2. A constituição de uma rede assistencial nacional, com relações de cooperação e 
complementaridade claras entre Instituições e Profissionais.
3. A liberdade de escolha da população, cuja igualdade de atendimento foi assegurada, 
devido ao investimento harmonioso e ao desaparecimento progressivo das assimetrias regionais.

Para rentabilizar os recursos, os Hospitais foram hierarquizados em Hospitais de Apoio Perinatal (HAP) e Hospitais de Apoio Perinatal Diferenciado (HAPD). Na região Norte foram classificados como HAPD os seguintes: Hospital de S. João,
Maternidade Júlio Dinis, Hospital Santo António,
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Hospital Maria Pia, Centro Hospitalar do Alto Minho (Viana do Castelo), Hospital Pedro Hispano (Matosinhos),
Hospital Nossa Sra. da Oliveira (Guimarães) e Hospital de S. Sebastião (Vila da Feira).
Foram também estabelecidas as competências dos HAPD, que incluiam:
1. As mesmas dos HAP, com maior autonomia assistencial para os RN de risco, excetuando: Cirurgia Neonatal e Subespecialidades mais diferenciadas.
2. Ter capacidade de assistência multidisciplinar a todas as situações com patologia associada ou coexistente com a gravidez, que lhe sejam referidas pelos HAP das RRMI
3. Responder às solicitações dos HAP para o Diagnóstico ou Terapêutica Pré-natal.
4. Dispor de Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais com uma Equipa de Neonatologistas (independente do Serviço de Pediatria) com um mínimo 7+1, para garantir escala em 
presença física 24/24 h.
5. Coordenar ou integrar as Equipas de Transporte Neonatal medicalizado se for solicitado para 
tal.
6. Garantir articulação protocolada com Centros de Saúde da sua área, correspondendo às 
solicitações da UCF, com Consultas de Referência Obstétrica e Neonatal.
7. Garantir a articulação protocolada com HAP: transporte antenatal, auditorias dos 
transportes e óbitos, formação, monitorização dos indicadores de saúde regionais
8. A grande diferença dos HAPD em relação aos HAP será, no entanto, a sua responsabilidade nas áreas da Avaliação e Formação dos profissionais da Instituição e da zona que abrangem. Deve associar-se aos demais HAPD da RRMI e concretizar em comum este 
objectivo.

O serviço de Neonatologia do Hospital de Guimarães (Centro Hospitalar do Alto Ave) em tudo correspondeu às exigencies e expectativas ao longo dos anos. Concretamente:
1. O serviço de Neonatologia está classificado, pelo Ministério da Saúde, como Centro de Apoio Perinatal Diferenciado (Requalificação de Março de 2006, DGS). Nesse sentido, esta Unidade foi considerada de referência para os concelhos de Guimarães, Famalicão, Fafe, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto, Santo Tirso, Vizela, parte de Felgueiras e Póvoa de Lanhoso (cerca de 330000 habitantes). Este serviço é unidade de nível III, devendo estar integrada num Hospital de referência com Maternidade e um serviço de Pediatria onde se desenvolvam todas, ou a maior parte, das áreas específicas pediátricas. Por definição, estas unidades têm capacidade de prestar cuidados a todos os recém-nascidos de todas as idades gestacionais (dentro do limiar da viabilidade). No nosso caso, os únicos recém-nascidos a transferir serão os que têm patologia cardíaca grave e cirúrgica; pontualmente poder-se-ão transferir recém-nascidos candidatos a hemo-filtração ou a óxido nítrico.
2. O atual serviço de Neonatologia é o resultado dum projeto de alargamento e reestruturação financiado pelo programa “Saúde XXI”, tendo a mudança para as novas instalações ocorrido no dia 14 de Outubro de 2008, com valor global de investimento de 1,9 M€; dispõe de 5-7 camas de cuidados intensivos, um setor com 12-16 camas de cuidados especiais e 1 quarto de isolamento com pressão negativa/positiva e preparado para bloco operatório. Para além da monitorização dos doentes centralizada em 2 estações de enfermagem, o serviço tem o processo clínico todo informatizado e melhorou a segurança dos recém-nascidos com o uso das pulseiras electrónicas.
3. Tem um quadro médico constituído por 12 elementos, dos quais o responsável e mais 6 colegas têm a sub-especialidade de Neonatologia da OM; 7 dos elementos estão em exclusividade. Vários elementos têm competência em ecografia transfontanelar e ecocardiografia.
4. Dispõe dum quadro de enfermagem próprio de 26 elementos, dos quais 6 especialistas e 3 com pós graduação em enfermagem de cuidados intensivos neonatais.
5. Os resultados do trabalho efetuado são monitorizados regularmente no benchmarking do registo do RNMBP e atestam a qualidade assistencial dos cuidados prestados. São ainda monitorizados internamente outros indicadores como a adesão às campanhas de higiene das mãos, mortalidade neonatal e perinatal, infeções associadas aos CVC e ao TET, erros medicaçãoo e eventos sentinela. O serviço cumpre os protocolos de rastreio recomendados (surdez, ROP, metabólico e da hipotiroxinemia da prematuridade), fazendo o seguimento dos RNMBP em regime de consulta externa até aos 7 anos.
6. Do ponto de vista pedagógico, dá apoio pré-graduado (na formação de alunos de Medicina da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, bem como de Enfermeiros de várias escolas) e pós-graduado (a internos do Ano Comum, do Internato Complementar de Pediatria e de Medicina Geral e Familiar, bem como na formação pós-graduada de Pediatras e Enfermeiros de várias escolas). Um dos elementos é doutorado e professor auxiliar na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
7. A nível de investigação, o Serviço de Neonatologia participa em vários estudos multicêntricos: registo nacional do recém-nascido de muito baixo peso, infeções nosocomiais, registo nacional de Malformações, EPICE e investigação do grupo de gémeos.
8. O serviço está ainda envolvido em atividades com interface direta com a população, tendo desenvolvido grupos de trabalho mistos (das 3 equipas do serviço): “Associação Afonsinhos e Mafaldinhas”, “Encontros perinatais” e “Associação Berço de Gémeos”. Colabora ainda, estreitamente, com as UCF’s.
9. O serviço está integrado num hospital re-acreditado (2012) pela Joint Commission International, sendo submetido a rigoroso controle e monitorização da qualidade assistencial e participando também em outros projetos semelhantes como o SINAS e o DUQUE.

No que diz respeito ao sector da obstetrícia, este cumpre igualmente todas as exigências tendo sido objecto de obras de melhoramento e tendo-se vindo a diferenciar nas várias vertentes peri-natais, com destaque para a procriação medicamente assistida.

Pelas razões expostas não parece lógico (nem inteligente) que este serviço seja desclassificado de HAPD para HAP. Os dois documentos (o da ERS e o da Comissão Nacional da Mulher, da Criança e do Adolescente) apesar de aparentarem ser documentos corretos do ponto de vista científico e técnico, não o são; numa altura em que o objetivo é prestar os melhores serviços às populações com um mínimo de custos (maior eficiência), estar a mudar determinadas Unidades que funcionam bem sem analisar os custos económicos e sociais dessas medidas, não passa de decisões políticas, ainda por cima tomadas por entidades que não o deveriam ser. "
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maria jose costeira

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